sábado, 28 de abril de 2007

Venha e Descanse!

Estou outra vez aqui nos EUA com um grupo de plantadores de igrejas internacionais. Desta vez tenho a honra de estar aqui com meu pai - meu super-heroi em se tratando de plantação de igrejas e os pastores Pedro e Armando, companheiros de ministério em Recife.

O tema que estaremos abordando durante estes próximos dias será: "Venha e Descanse", que expressa uma preocupação pastoral com pastores. Estes precisam ser pastoreados porque pastores são também ovelhas.

Engraçado que nos últimos dias tenho sentido em mim uma necessidade de cuidado; não que o Senhor não cuide de mim, obviamente, mas que existencialmente preciso de seu amparo, de seu carinho, me afirmando, me amando… preciso estar mais perto dEle. É bem comum que como "pastor", guie as ovelhas e se distancie do Supremo Pastor ao mesmo tempo. Isso geralmente acontece quando o foco está no "guiar" e não no "guia". Quando o foco está no "guiar" as ovelhas podem ate descansar, mas o pastor não. Elas podem se saciar, enquanto o pastor se encontra faminto. Isso porque o trabalho do pastor passa a ser individual, pessoal, braçal e, consequentemente, exaustivo. Deixa de ser um trabalho feito por fé e passa a ser um trabalho feito por "obras".

Quando o foco esta no "guia" a coisa se torna diferente, pois aquele que guia as ovelhas passa a ser guiado como ovelha e ao levar as ovelhas aos pastos e às relvas de descanco, o Pastor o alimenta e o faz descansar. Quero comer e quero descansar…

Por Felipe Assis

terça-feira, 17 de abril de 2007

Quando cruzamos a linha do desespero...

Há pouco tempo atrás escrevi sobre o caso do menino João Hélio que deixou boquiaberta a sociedade brasileira. Hoje porem, é a vez da sociedade americana que experimenta nada mais, nada menos do que a maior chacina da história do país. O crime não aconteceu numa periferia, numa favela, numa boca de fumo, mas no campus de uma das 100 melhores universidades do país. O assassinato de 32 alunos não foi cometido por um vagabundo qualquer, ociosos e voltado para uma vida de criminalidade, mas, por um dos alunos que morava no próprio internato da Virginia Tech. Uma faculdade internacionalmente conhecida como esta não apenas aceita alunos que tem condições de pagar cerca de 30.000 dólares por ano. Para ingressar lá, se necessita de massa cefálica e uma participação exemplar ao longo de todo histórico escolar. O que prova que o problema da violência não é o problema da pobreza, da falta de educação, do desemprego. O problema da violência é um problema moral. Logo, um problema do pecado inerente ao coração humano. O homem sem Deus é um homem que “cruzou a linha do desespero” como dizia Francis Schaeffer. Ainda não se sabe ao certo, mas, especula-se que o assassino começou a puxar o gatilho por ciúmes, por achar que sua namorada o traía com outro aluno. A dor do seu coração existencial passou então a ser a dor no músculo miocárdio daqueles que o cercavam também. Dentro desta ótica, a violência se torna o último recurso por não crer que exista solução para a crise imediata. Que exista um ser superior a quem recorrer que entenda a dor interior, que exista um futuro esperançoso, que exista uma dimensão além da material, que não estejamos jogados ao acaso como dizia Heidegger. A violência é o recurso que recorremos por não aceitar que exista um justo juiz. Daí, resolvemos voluntariamente sentar em sua tribuna para batermos o martelo sobre a vida daqueles que julgamos merecer uma sentença. Neste aspecto somos iguais a este “serial killer”, claro que obviamente sem as mesmas proporções e conseqüências. Não obstante, quando sentimos violados, corremos atrás de nossos inimigos para que paguem com os olhos e com os dentes a ofensa cometida contra nós. E mais... no processo, os inocentes espectadores que se cuidem para não se tornarem vitimas por tabela.

No final quando a raiva é satisfeita na carnificina agora exposta em forma de caos, a conclusão é unânime. Não valeu a pena, tanto para quem estava de fora, como para quem violou como para quem foi violado. Isso revela que somos todos desqualificados para julgar e trazer justiça. Se acreditássemos num reto juiz que um dia colocará todos os pontos nos “i”s, jamais tentaríamos sentar em sua tribuna após cruzarmos a linha do desespero.

por Felipe Assis

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Feliz Ressurreição!

Os pregos enferrujados ainda celebram até hoje as aberturas deixadas em suas mãos. A coroa se desfez pelo mesmo tempo que apenas cicatrizou as feridas expostas causadas pelos seus alguns centímetros de penetração em sua cabeça. Os chicotes só perderam alguns pedaços de ossos que teimaram em não sair de suas costas ensopada. A ponta da lança logo secou, mas não antes de testificar à alma de quem a usou que o corpo que ali estava era mais que epiderme e cálcio. O manto descolado jamais saberá o que é ser rasgado de céu abaixo pelo sentido concretizado da morte de quem ele tocou. A cruz nunca mais foi a mesma – apenas vazia de um corpo mas para o quase sempre possuída de um sentido e significado. Do túmulo o odor se foi rapidamente mostrando com sua ausência que era hora da presença angelical. A enorme pedra que servia de portais eternos demudou-se em grão ante a descida do mensageiro. A eterna morte foi apenas efêmera passagem, mas nunca prisão. Nunca acorrentou quem nunca deixou de ser livre. Nunca aprisionou aquele que pode libertar. A lágrima, antes de cair no chão, voltou aos olhos pelos poros das mãos regando os pés de quem, a partir daquela cena, eternizou a proclamação da vitória da vida sobre a derrotada morte. A morte jamais será a mesma. Aliás, jamais será.

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (João 11.25).

Pr. Daniel Luiz

terça-feira, 3 de abril de 2007

Entrevista com o Dr. Tim Keller

Durante a conferência para plantadores de igrejas que estão em parceria com a Redeemer tive o privilégio de ouvir do próprio Tim Keller, que encontrou nosso blog e que estava navegando nele. Ele me disse que tentou ler mas, que seu português estava enferrujado. Ri e sugeri que partcipasse de uma breve entrevista no nosso espaço. Ele concordou e me pediu que lhe enviasse um email que em menos de uma semana responderia as perguntas. Pois bem, enquanto esperava meu vôo de volta para Recife no aeroporto de Guarulhos resolvi abrir meu laptop e mandar as perguntas. Fechei, fui no McDonalds pegar um milk shake e quando voltei já havia respondido. Tenho muito respeito pelo Tim e confesso que apesar de não ter tido contato acadêmico com ele, considero-o meu grande mestre de pregação. É portanto uma grande honra ter essa pequena entrevista no nosso blog.


Tim, eu acho que o que você ensina sobre o Evangelho está bem de acordo com os ensinamentos do curso “Sonship” (traduzido aqui como “Aba Pai”). Quando estudava no RTS em ´99 um debate surgiu nas aulas de Teologia Sistemática pois alguns acusavam o Sonship de graça barata e até “uma nova forma de antinomismo”. Você concorda com isso? E... o que você acha desta controvérsia?


Eu frequentei a New Life Presbyterian Church em Glenside na Pennsylvania USA durante os anos de 1984 – 1989 e estive muito envolvido. Eu acredito que muito do modo que falo a respeito do Evangelho veio de ouvir o Dr. Jack Miller (o pastor da igreja) pregar. Os cursos do Sonship foram desenvolvidos por pessoas que eram membros da New Life e foram inspirados pela pregação de Jack. Não obstante, eu nunca fiz o curso Sonship, nem li o material publicado, nem nunca fui a uma de suas conferências. A Redeemer e o Sonship possuem um ancestral comum na pessoa do Jack Miller, portanto tenho certeza que existe grande semelhança sim. Sempre me dizem que soou muito com o Sonship mas, além disso não posso dizer mais nada. Eu não sei quanto o ensino na Redeemer é parecido ou como se diferencia do material do Sonship. E sim… não estou a par desta controvérsia.

Corrija-me se estiver errado. Lutero entendia que a Graça era oposta a Lei e Calvino entendia a Lei como graça. Sendo um calvinista, como é que você enxerga este assunto?



Eu tenho uma visão mais positiva da Lei do que Lutero. Quando você se apaixona você quer conhecer a vontade do ser amado, para que você possa se satisfazer e desfrutar dele ou dela. Você tem um desejo profundo de satisfazer a vontade de quem você ama. A lei moral de Deus é sua vontade, e se eu sou salvo pela graça eu quero obedecer sua vontade por amor e com alegria. E por amor, eu prometo obedecer sua vontade mesmo quando não sinto muita alegria e amor. Então como um cristão reformado, eu creio que devo obedecer a Lei de Deus.

Como é que a Igreja deve disciplinar a luz do Evangelho? Por exemplo, muitas igrejas suspendem o membro faltoso da eucaristía. Eu sei que você gosta muito de dar exemplos práticos então, se você puder fazer assim, ajudará bastante.


Eu acho que se um cristão está preso numa patente de pecado, (por exemplo: se um jovem cristão está transando com sua namorada, ou se um outro cristão não consegue perdoar um irmão em Cristo que o ofendeu) então se ele ou ela está vindo a Mesa do Senhor, eles devem voluntariamente privar-se de tomar parte dos elementos da Santa Ceia. Mesmo que se arrependam na hora, seria uma boa disciplina deixarem de participar da ceia até que tenham certeza de que se arrependeram e que fizeram as mudanças necessárias. Lembre-se que disciplina eclesiástica é apenas fazer o que a pessoa deveria estar fazendo de qualquer forma. Suspender pessoas da Santa Ceia indefinitivamente (até que se arrependam) ou até por um periodo determinado depois que se arrependam, pode ser algo muito bom para o crescimento espiritual.


Ouvi que você estava escrevendo seu segundo livro. Fale um pouco sobre isso.




Estou escrevendo um livro para não-crentes. Nele, tento tratar das objeções que pessoas seculares num lugar como New York City têm em relação a fé cristã. É desenhado para ajudar pessoas a possuirem uma visão mais positiva do cristianismo, talvez até ajudar no processo de se ter fé em Jesus.

por Felipe Assis

quinta-feira, 29 de março de 2007

Não faça nada!

Há alguns dias tive o imenso prazer de substituir Felipe para ensinar na sua aula de teologia sistemática num excelente seminário teológico daqui de Recife (AMESPE). Bíblia em mãos, apostila na outra (tal como os ingleses anglicanos que iam sempre com a Bíblia na mão, e o LOC na outra, rsrsrs); e ai, foi: Berkhof pra lá, Calvino pra cá, Kuyper, Bavinck, Baxter, e etc. Aquela seleção teológica de grandes “cristãos”. Imagine a “responsa” de ter que substituir ao meu amigo, pastor, e em minha opinião, um dos maiores teólogos dessas bandas das terras tupiniquins, apesar da sua pouca idade.

Estive dando as suas aulas, e ao mesmo tempo, estive observando os futuros pregadores, pastores, ou ministradores que se engajaram nesse curso. As aulas foram boas e me senti muito à vontade com os alunos. Vi que dali, bons frutos brotarão para a glória de Deus. As aulas foram “gostosas”, inclusive quando se levantou um caloroso debate na sala a respeito da santificação. Afinal, a santificação é por obras, ou pela fé? A salvação é obra de Deus, e a santificação é obra humana? Ou ambas são obras de Deus no homem?

Verdadeiramente, acredito que, para todos os seminários, o Evangelho deveria ser incluído como matéria isolada, do mesmo modo que existe a teologia sistemática, a teologia bíblica, a teologia do Novo Testamento, Grego, etc. Qual a razão dessa minha observação? A imensa dificuldade que todos os seres humanos possuem de ver o evangelho na simplicidade que ele é, e na imensa profundidade que o evangelho traz aos crentes e descrentes. Como gostamos de complicá-lo... impondo regras, leis, transmutando o evangelho em filhote da religiosidade judaica, e das religiosidades do mundo. É necessário entender que o cristianismo é diferente de todas as outras religiões do planeta.

O mundo, a sociedade secular, o homem de uma forma muito generalizada estão diretamente envolvidos na imensa teia de aranha da ‘cultura da barganha’ e do ‘troca-troca’. A sociedade prioriza aquele que consegue agir com beneficência. O mundo mede as pessoas pela conquista ou logros obtidos, e, o homem pondera o valor de alguém pelo que essa pessoa possa ter, ou oferecer. A nossa sociedade é assim. Legalista. Implacável. Sem graça. Dá a quem merece, salvo raríssimas exceções. Porém com Deus, com “o Deus de toda a graça” as coisas não funcionam dentro desse patamar. “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os meus caminhos os vossos caminhos, diz o Senhor...” (Is 55.8). Pois, todas as demais religiões do planeta, todos os “ismos” religiosos, apelam às obras para que o homem possa ser merecedor, auto-salvador, e alcance assim, por méritos próprios, os lauréis da salvação e uma melhor espiritualidade por intermédio da santificação – como se tratasse de uma conquista olímpica pessoal. Já o cristianismo diz exatamente o contrário. Não fazemos nada, não merecemos nada, não há leis que nos imponham condição à salvação, não há regras que possamos seguir para melhorar o nosso conceito (como se tivéssemos algum...) diante de Deus. Toda a nossa salvação e santificação são pela fé, pois descansa na obra e nos méritos exclusivos de Cristo.

Na verdade, nos santificamos pela fé através da obra do Espírito Santo em nós. Se a salvação é pela fé, e a santificação faz parte do processo inerente de salvação no crente, ela também é pela fé.

Finalizo com a imensa declaração de John Newton (aquele que compôs ‘Amazing Grace’): A humanidade nasceu num pacto de obras – "viverás em quanto não tocares na árvore". Porém, Quando se fala de confiança em Deus, mais que nada a Bíblia quer nos mostrar que agora devemos confiar, não nas nossas obras para obter a salvação, mas nas obras de Cristo para esse fim. Ou seja, não faça nada. Confie apenas no que já foi feito. Confie em Deus.

Pr. Waldemir Lopes

terça-feira, 27 de março de 2007

O Evangelho... direto de Connecticut 2

Hoje o Tim falou sobre as 9 marcas de uma igreja conduzida pelo Evangelho. De forma resumida, resolvi transcrever para aqueles que tem interesse. Se for muito pastoral para você vá à coluna no lado direito e procure um post diferente.

  1. Uma compreensão profunda da profundidade do Evangelho – A graça de Deus converte indivíduos e ao mesmo tempo restaura a criação caída.
  2. Uma visão positiva da cidade – Em Gênesis 2, ao criar o homem, Deus ordena para que Adão e Eva cultivem o jardim. Cultivar o jardim significa não deixar as coisas do jeito que naturalmente são. Deus intencionava que Adão e Eva formassem uma cidade, uma civilização, que emanasse beleza, justiça, amor etc. Daí o mandamento seguinte de popularem a terra. Infelizmente falharam. Por esta razão Jesus veio para fazer o que a Adão e Eva deveriam ter feito. Em Apocalipse vemos esta missão cumprida com o estabelecimento da “Nova Jerusalém”. A Igreja, todavia, é o inicio do estabelecimento deste empreendimento divino que será concluido com a 2ª vinda de Jesus.
  3. Uma visão equilibrada entre Cristo e Cultura – Existem duas visões extremas em relação a este assunto. De um lado temos a visão dos Quakers de que Cristo está contra a cultura e do outro lado temos A. Kuyper que diz que ele está sempre a favor da cultura. O Evangelho todavia mostra que as vezes Jesus se porta contra a cultura e as vezes a favor da cultura. A chave não é nem um extremo nem o outro mas de entender Cristo transformando a cultura de dentro para fora (1 Pe 2:11-12).
  4. Um visão que equilibra evangelismo, discipulado e ação social – Muitas igrejas se descatam em uma dessas áreas mas, poucas conseguem equilibrar bem todas.
  5. Interdependência entre esses quatro elementos – Por exemplo: se você tiver paixão por evangelismo você deve integrar ação social senão seu evangelismo cai por terra. Outro exemplo: se você tiver paixão por discipulado você deve fazer evangelismo senão não terá quem discipular.
  6. Uma Igreja voltada para fora - Tudo que é feito na igreja deve ser feito com a consideração de que descrentes estarão presentes e que descrentes são a missão principal da igreja.
  7. União assimétrica com outras expressões do cristianismo – Isso implica em possuir uma tradição, pois como G.K. Chesterston afirmou “tradição é uma forma de estar em comunhão com aqueles que já morreram”. Todavia, não é suficiente encontrar uma tradição mas, reconhecer suas imperfeições e procurar formas de envolvimento com outras correntes.
  8. Contextualização – É necessario adaptar tudo a realidade presente. Calvino costumava definir isso como “acomodação”. Se o próprio Deus contextualiza revelação à humanidade então a Igreja deve também possuir a mesma preocupação com a humanidade caída.
  9. Plantação de Igrejas – pois tudo deve ser replicado.
por Tim Keller

segunda-feira, 26 de março de 2007

O Evangelho... direto de Connecticut

Os resquicios de neve na grama são visíveis aqui na parte interiorana do estado de Connecticut (USA). Enquanto isso, estou participando de uma conferência de plantadores de igrejas patrocinada pela Redeemer Presbyterian Church localizada em Manhatan, NY. Redeemer foi plantada por Tim Keller no início da década de ´90 com um pequeno grupo de pessoas que acabou se tornando uma igreja forte na cidade. Hoje, com uma frequência de cerca 5 mil pessoas por domingo Redeemer não só tem buscado renovação para a cidade de NY mas também para o mundo como um todo.

A Comunidade Memorial, inclusive, tem sido uma das muitas igrejas que a Redeemer tem ajudado a começar. Aqui na conferência temos plantadores do mundo inteiro (Brazil, Mexico, Argentina, Inglaterra, Italia, França, Alemanha, Holanda, Africa do Sul, China, Bangladesh, Irlanda, Escocia e outros mais) que compartilham deste movimento de expanssão via novas comunidades. A coisa funciona como uma espécie de movimento impulsionado pelo Evangelho.

O que o Tim Keller afirmou à algumas horas atrás foi que: “DEVEMOS NOS APROFUNDAR NO EVANGELHO E LEVAR O EVANGELHO DE FORMA PROFUNDA PARA AS PESSOAS”. Creio que esta seja uma importante observação, visto que a maioria das igrejas encaram “O Evangelho” como algo apenas básico, partindo do ponto de vista que seres humanos precisam deste para se converterem. Em outras palavras: O indivíduo precisa do evangelho para ter o primeiro contato com Jesus sendo que depois, O Evangelho perde sua força pois não é mais necessário já que o cara agora é “crente” . A idéia por aí a fora é que apenas “descrentes” precisam do evangelho. O Evangelho é simples mas ao mesmo tempo é profundo. Sua mensagem é simples mas, não pode ser absorvida de forma simplista. Se um descrentes precisa do Evangelho, então também o crente precisa. Se alguém precisa entender pecado e graça para se chegar a Jesus, este mesmo precisa continuar sendo re-lembrado de pecado e graça para que possa amadurecer espiritualmente e se tornar participante do projeto de restauração de Deus.

Ser participante do projeto de restauração de Deus é compreender que a finalidade da Cruz não visou apenas a redenção de seres humanos mas de toda a criação caída. Por esta razão, Deus se preocupa com as cidades e seus problemas de injustiça como também se preocupa com o meio ambiente. A igreja de Cristo deve alinhar-se porém, a esta visão e funcionar como uma cidade dentro da cidade em busca de uma transformação centrífuga (de dentro para fora), para que a cidade dos homens em que ela está inserida passe a ser mais e mais parecida com a cidade de Deus (refiro-me não a favela do Rio, mas, A Nova Jerusalém).

Enfim, você acabou de experimentar um pouco do que passou pela minha cabeça ao escutar o Tim... Depois volto falando mais sobre as idéias que estão sendo fomentadas aqui...

por Felipe Assis