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terça-feira, 30 de outubro de 2007

O Evangelho segundo Hairspray

“Mãe não tenha medo de sair de casa, o tempo das pessoas diferentes chegou” foi o que disse Tracy Turnblad, a gordinha bem humorada; personagem principal de Hairspray.

O musical da Broadway que se adapta pela segunda vez às películas de cinema conta a história de um subúrbio americano em plena década de 60 que é entretido por um programa de TV local, onde jovens dançarinos se requebram ao som característico da época. O programa apresenta jovens de perfil calcasiano, atlético e de classe média alta. Ao saber da abertura de uma vaga, Tracy se empolga e se apresenta para fazer o teste nos estúdios da emissóra. Sem ao menos ter uma chance de mostrar o seu talento, Tracy é rejeitada por ter uma cintura avantajada e uma estatura indesejada. Ela representa o marginalizado fruto do exclusivismo presente nos seus dias. Além de Tracy, existem os talentosos jovens Negros que apesar de possuirem “skills”, só podem se apresentar uma vez por ano na edição especial do programa entitulado “Negro Day”. Por ter uma aparencia que foge do padrão, Tracy se une aos estudantes negros na sala de detenção para aperfeiçoar sua “ginga”.

Certo dia, Tracy é notada pela frecha da porta, por um dos jovens participantes do elenco do programa que acaba levando-a para se apresentar no ar. O resultado é que ela se torna a coqueluche do momento. Afinal de contas ela representa a todos que não se enquadram. Tracy representa os “imperfeitos”. Ela representa o negro, o pobre e o feio. Ela representa o que o evangelho representa. O evangelho representa a loucura, a fraqueza, a pobreza, e a feiura. Ou seja, adjetivos que fogem dos padrões da religiosidade humana. A religiosidade aceita aqueles que se enquadram no seu rótulo. O evangelho aceita os “diferentes”, aqueles que são postos à margem da performance do sucesso. Na verdade, o Evangelho só aceita e inclui os que são excluidos. Inclusão aos excluidos no musical soa profano, assim como soa nas páginas dos evangelhos e nos guetos da religiosidade evangélica dos nossos dias.
Vem a minha mente a experiencia que Pedro teve quando resistia ao pensamento de que Deus passava a incluir a seu povo não apenas judeus mas, gentios imundos. A palavra de Deus a Pedro em síntese, ecoa em unísono com as palavras de Tracy. “Não tenha medo, o tempo para as pessoas diferentes chegou!”

por Felipe Assis

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O Religiosismo que mutila o Evangelho – parte II

A Bíblia diz em Levítico 21:17-20 que aqueles que tivessem os corpos mutilados, danificados, ou fossem "diferentes", não se qualificavam para o oferecimento do pão. Do mesmo modo, mulheres menstruadas, homens que recentemente tivessem tido emissão noturna, pessoas com enfermidade de pele ou feridas supurentas, alguém que tivesse tocado em cadáver, ou tivesse comido animais como lagosta, ostras, porco, coelho, etc. – todos esses eram declarados cerimonialmente impuros. A pratica de algo assim era vista como uma transgressão à lei ritualística de Deus. Os religiosos não entenderam a graça intrínsica nas linhas da Lei, e acharam que qualquer um pecaria dependendo do que comesse, tocasse, ou da sua constituição genética.

Parece inconcebível, porém, esse era o ambiente que definia o judaísmo da época. A união da lei mosaica e das regras farisaicas. Por esta razão, todos os dias, os judeus religiosos nas suas orações matinais davam graças a Deus por "não ter nascido mulher... por não ser gentio... por não ser escravo..." etc.

Na concepção errada do pecado, transgredir estas leis era ofender a Deus. Nosso Senhor Jesus veio e aplicou a lei, tal e como era. A lei é um reduto da graça. Ele mostrou como deve ser o verdadeiro religioso. Quando Jesus veio, ele aprimorou a mira das pessoas que estava totalmente fora de foco. Acabou com essa história de "puros" e "impuros". Falou abertamente: "vocês não entenderam nada!". Na verdade, o texto em Levítico (exposto acima) mostrava que aquelas determinadas pessoas, tidas como "esquisitas" e discriminadas pelos religiosos, não ofereceriam o pão, porém seriam os beneficiários mais diretos do culto. Seriam privilegiados por isso. Não era para desqualificá-los, e sim, para honrá-los. Logo, os religiosos pensaram em desqualificar e não em amparar. O religiosismo sempre vai se preocupar com as trivialidades, negligenciando as coisas mais importantes.

O religiosismo é legalista, olha para si, ao invés de olhar para a comunidade. Olha para os seus sentimentos ao invés de olhar para Cristo. Não é seguidor de Cristo, é satisfazedor de si próprio.

Pr. Waldemir Lopes

O Religiosismo que mutila o Evangelho - Parte I

A lei do Senhor é perfeita e santa. Porém, o legalismo religioso a manipulou a fim de torcê-la segundo o seu querer. Daí surgiram as discriminações. A lei destila graça por onde quer que olhe. Ela preparava a chegada da graça explícita em Cristo. Segundo Paulo, a lei nos serviu de tutor, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de tutores (Efésios 3:23-35). Paulo, sim, tinha entendido o que nós devemos entender. A lei serviu para guardar, e nos orientar na comunhão com Deus até que viesse a fé e a graça. Quando por fim, Jesus doa a sua justiça perfeita a aqueles que crêem com a fé que é posta no coração pelo próprio Senhor.

Quando veio Jesus e começou a "quebrar a lei" – na verdade, deu o seu verdadeiro sentido - tocando em leprosos, em mortos, comendo com pecadores, recebendo adoração de mulheres prostitutas, perdoando pecado, dispensado graça, trabalhando no sábado, e conversando com uma mulher samaritana - para consternação dos discípulos, que sabiam que "os judeus não se relacionavam com os samaritanos". Inclusive, essa mulher, rejeitada pelos judeus por causa da sua raça, rejeitada pelos vizinhos por causa dos seus muitos casamentos, veio a ser a primeira missionária designada por Jesus e a primeira pessoa a quem ele francamente revelou a sua identidade como Messias. A aproximação de Jesus com as pessoas impuras consternava os seus compatriotas... Tenho pensado como ainda temos relutância em nos aproximar de um não-crente, só porque não pensa como nós, ou não age como nós. Ora, isso é "religiosismo" (Filosofia religiosa carnal e diabólica). Uma falácia da verdadeira religiosidade.

Na verdade, o Evangelho nos diz que todos nós somos esquisitos, mas Deus nos ama assim mesmo – quem quiser vir participar do Reino que venha. Ou seja, como dizemos aqui na igreja: "nós somos pior do que imaginamos, porém a graça de Deus é muito maior do que possamos imaginar".

Pr. Waldemir Lopes

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Renascer na Cadeia?

Infelizmente aconteceu o que eles mais temiam. Na última sexta feira, em Miami, o juiz Frederico Moreno condenou Estevam e Sonia Hernandes, donos da Igreja Renascer em Cristo á 140 dias de cadeia, mais 5 meses de prisão domiciliar, mais dois anos de condicional cada. Além disso, devem pagar US $ 60 mil de multa.

Hoje, o Estevam já deve estar se dirigindo a um presídio de segurança máxima na Florida onde trocará suas roupas de grife por um macacão laranja e compartilhará a cela com outro detento que não é sua espôsa. A partir de hoje, a Sonia fica presa em casa controlada por um chip ligado ao seu pé para poder tomar conta dos filhos que ainda vivem com o casal. Depois que o Estevam cumprir sua pena, chegará então a vez da Sonia de ir ao presídio.

O fato que mais chamou a atenção daqueles que estavam presentes no momento em que a sentença foi proferida foi o fato dos dois pastores (um termo diminutivo para eles) chorarem pedindo inúmeras vezes misericórdia ao juiz depois de terem confessado aos crimes de contrabando de dinheiro e conspiração para contrabando de dinheiro. Inclusive, disse que no final da sentença a Sonia perguntou soluçando: “Quer dizer que eu vou para a cadeia?” então o juiz Moreno respondeu: “Sim, você vai para a cadeia”?

Fico refletindo o que talvez deva ter passado pela cabeça deles momentos antes de entrarem na corte. Temos notícias que seus seguidores mais próximos já planejavam uma festa onde o seu Gideão receberia a vitória do Senhor depois de botar para correr seus inimigos. Vitória essa que prometeu aos fiéis ingênuos, todavia sinceros, o tempo todo desde que foram pegos mentindo e roubando. Acho que tanto eles quanto seus seguidores, por serem brasileiros, pensaram que no final tudo acabaria em pizza. Mas como estavam num país que felizmente, a justiça é cega, terminaram o tribunal como réus convictos.

Até agora estou pensando como o Evangelho se aplica a uma situação como esta.

O Evangelho fortalece os humildes e humilha os orgulhosos. Talvez é chegada a hora dos que jamais admitiram seus erros, fraquezas e pecados diante dos seus fiéis por serem espécies raras de semi-deuses entre nós que só vencem, sucedem e prosperam de serem expostos por meros seres humanos, pecadores e depravados. A máscara em fim caiu! Porém não de uma forma ruim. A ironia é que às vezes Deus usa outras formas de confissão quando escolhemos por vontade própria não admitir esta verdade básica do Evangelho. Não admitiram e omitiram de seus fiéis, mas, tiveram que admitir perante a justiça americana. Creio que esta pode ser uma excelente oportunidade para Estevam, Sonia e seus seguidores de enfrentarem seus demônios e se voltarem para o Evangelho genuíno que não promete promessas superficiais à respeito de Deus e da vida mas, oferecem bênçãos profundas. Bênçãos ligadas não ao acumulo de bens materiais e títulos ligados ao nosso nome mas, à simplicidade de não se ter e não ser. Benção de ter um Deus que nos encontra não na nossa “fidelidade”, mas na nossa infidelidade, na pecaminosidade do nosso cárcere não apenas físico mas, espiritual e nos oferece amor, reconciliação e renovação ministerial. Por fim, é uma oportunidade de lançarem no lixo o evangelho falsificado que por tanto tempo pregaram para que numa outra ocasião diante do justo Juiz, não tenham que chorar e implorar absolvição por terem feito milagres em seu nome, expulsado demônios, curado enfermos e pregado o “evangelho”.

por Felipe Assis

terça-feira, 5 de junho de 2007

O Evangelho segundo Sufjan Stevens

Quem viveu nos anos setenta lembra-se vividamente de um “serial killer” por nome de John Wayne Gacy Jr que aterrorizou a cidade de Chigago, E.U.A. Ele que havia sido abusado pelo pai alcoólatra na infância e que havia se divorciado duas vezes, vestia-se de palhaço com o intuito de seduzir meninos às suas praticas sodomitas. Gacy, depois de violentar os meninos, matava-os e escondia os corpos debaixo do piso de madeira de sua casa. Quando a policia de Chicago descobriu, já haviam cerca de 30 de suas vitimas amontoadas no seu esconderijo secreto. Enfim, uma historia muito triste...

Recentemente com o avanço da internet e da mídia globalizada um artista “indie” de Chicago lançou um disco intitulado “Illinoise” com uma letra dedicada ao assassino em série, seu conterrâneo. O Resultado foi que tanto o artista como a letra “estouraram” pela habilidade clara que Sufjan Stevens tem capturar a imaginação de seus ouvintes.

Na letra da musica de Sufjan Stevens, Gacy é retratado com os mínimos detalhes psicológicos. Parece até uma análise psicoanalísta – chama muita atenção. Todavia, o que choca e paralisa nosso sistema nervoso é a ultima estrofe da musica. Stevens diz:

“No meu melhor comportamento, eu sou igual a ele.
Olhe debaixo do piso de minha casa e descubra os segredos que escondi”.

Sem ser, esta comparação soa verdadeiramente bíblica uma vez que aos olhos de Deus “não existe um justo, nenhum sequer”. O pecado nivela a todos no mesmo patamar. Talvez não tenhamos a coragem nem a clareza para admitir que eu e você somos tão maus como Gacy e Stevens. Não sei os segredos sujos que você esconde na alma, nem você sabe dos que eu escondo, mas, ambos sabemos que o outro esconde. Aos olhos de Deus existem dois grupos de pessoas; os pecadores que admitem isso e os que não admitem. Os que admitem, admitem porque tiveram acesso a Graça ao aprenderem e experimentarem que Deus não os ama pelo que são mas, pelo que Ele É. Me lembrei da frase de Jack Miller que acabamos de adotar como saudação final nos cultos da Comunidade Memorial. Nesta frase Jack resume o Evangelho de forma simples. “Alegre-se! Você é pior do que imagina... mas, Alegre-se! A graça de Deus é muito maior do que você pode imaginar”.

por Felipe Assis

*Para ler mais sobre Sufjan e ter acesso a integra da letra JWG jr clique aqui

Deus é o Evangelho | John Piper

Já faz muito tempo que admiro a maneira de pensar e o conteúdo do pensamento do Pastor batista norte americano Jonh Piper. Pela propaganda que faço de seus livros e sermões tenho sido identificado como seu admirador, e também por externar suas idéias, frases e pensamento sempre que posso.

Por ocasião do meu aniversário no último dia 2 deste mês recebi de grandes amigos (Marcos, Sérvulo, Bruno e Luciano) um livro por presente. Estou fascinado novamente! O livro fala sobre do evangelho sublinhando que a maior dádiva que Deus dispôs no evangelho foi Ele mesmo. Passo agora a pontuar o segundo capítulo do livro pretendendo recomendá-lo.

"O desafio em definir uma palavra ou expressão tão comum, de significado amplo, como "boas novas" é evitarmos dois extremos. Um extremo é definir o evangelho cristão em termos tão amplos que chamaremos de evangelho tudo o que é bom na mensagem cristã. O outro extremo seria definir o evangelho cristão em termos tão restritos que a definição não faça justiça a todos os usos no Novo Testamento.

O Evangelho inclui as boas-novas de que existe um Deus vivo, que criou o céu e a terra... inclui a verdade de que Ele é o Rei do universo que agora, por meio de Jesus, exerce sua autoridade imperial no mundo, por amor de seu povo... é a boa-nova de que o prometido Rei de Israel chegara... e veio para ser Salvador... porque morreu para levar os nossos pecados... e ressucitou dentre os mortos... e nos prometeu Seu Espírito... todas as bençãos do reino, demonstradas no evangelho tinham de ser compradas pelo sangue de Cristo. Por esta razão, a cruz tinha de ser o centro e fundamento do evangelho e por isso as bençãos do evangelho deveriam ser chamadas de evangelho apenas em relação à cruz... paz entre os homens e Deus e entre as pessoas... o efeito desta paz com Deus é a vida eterna. Isto também é o que torna o evangelho de Cristo em boas-novas... as boas-novas de que todas as nações serão abençoadas por meio de Abraão, ou seja, por meio da morte e da ressurreição do descendente de Abraão, Jesus Cristo... as boas novas é a graça de Deus... e esta graça comprada com sangue é essencial ao que torna boas as boas-novas... é as boas-novas de que Deus não poupou Seu Filho e, por isso, não poupará qualquer esforço onipotente para nos dar tudo que é bom para nós..."

No entanto, a maior parte das coisas boas mencionadas nesse capítulo, como partes essênciais do evangelho, não são o bem final do evangelho, e não seriam realmente boas para nós se o supremo bem... não fosse visto e aceito. Esse supremo bem é o próprio Deus, visto e experimentado em toda a sua glória. Visualizar todas as facetas do diamante e não ver toda a sua beleza é aviltante para o diamante. Se os ouvintes do evangelho não veêm a glória de Cristo, a imagem de Deus, em todos os acontecimento e dons do evangelho, eles realmente não vêem o que realmente torna boas as boas-novas."

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Por Daniel Luiz

terça-feira, 3 de abril de 2007

Entrevista com o Dr. Tim Keller

Durante a conferência para plantadores de igrejas que estão em parceria com a Redeemer tive o privilégio de ouvir do próprio Tim Keller, que encontrou nosso blog e que estava navegando nele. Ele me disse que tentou ler mas, que seu português estava enferrujado. Ri e sugeri que partcipasse de uma breve entrevista no nosso espaço. Ele concordou e me pediu que lhe enviasse um email que em menos de uma semana responderia as perguntas. Pois bem, enquanto esperava meu vôo de volta para Recife no aeroporto de Guarulhos resolvi abrir meu laptop e mandar as perguntas. Fechei, fui no McDonalds pegar um milk shake e quando voltei já havia respondido. Tenho muito respeito pelo Tim e confesso que apesar de não ter tido contato acadêmico com ele, considero-o meu grande mestre de pregação. É portanto uma grande honra ter essa pequena entrevista no nosso blog.


Tim, eu acho que o que você ensina sobre o Evangelho está bem de acordo com os ensinamentos do curso “Sonship” (traduzido aqui como “Aba Pai”). Quando estudava no RTS em ´99 um debate surgiu nas aulas de Teologia Sistemática pois alguns acusavam o Sonship de graça barata e até “uma nova forma de antinomismo”. Você concorda com isso? E... o que você acha desta controvérsia?


Eu frequentei a New Life Presbyterian Church em Glenside na Pennsylvania USA durante os anos de 1984 – 1989 e estive muito envolvido. Eu acredito que muito do modo que falo a respeito do Evangelho veio de ouvir o Dr. Jack Miller (o pastor da igreja) pregar. Os cursos do Sonship foram desenvolvidos por pessoas que eram membros da New Life e foram inspirados pela pregação de Jack. Não obstante, eu nunca fiz o curso Sonship, nem li o material publicado, nem nunca fui a uma de suas conferências. A Redeemer e o Sonship possuem um ancestral comum na pessoa do Jack Miller, portanto tenho certeza que existe grande semelhança sim. Sempre me dizem que soou muito com o Sonship mas, além disso não posso dizer mais nada. Eu não sei quanto o ensino na Redeemer é parecido ou como se diferencia do material do Sonship. E sim… não estou a par desta controvérsia.

Corrija-me se estiver errado. Lutero entendia que a Graça era oposta a Lei e Calvino entendia a Lei como graça. Sendo um calvinista, como é que você enxerga este assunto?



Eu tenho uma visão mais positiva da Lei do que Lutero. Quando você se apaixona você quer conhecer a vontade do ser amado, para que você possa se satisfazer e desfrutar dele ou dela. Você tem um desejo profundo de satisfazer a vontade de quem você ama. A lei moral de Deus é sua vontade, e se eu sou salvo pela graça eu quero obedecer sua vontade por amor e com alegria. E por amor, eu prometo obedecer sua vontade mesmo quando não sinto muita alegria e amor. Então como um cristão reformado, eu creio que devo obedecer a Lei de Deus.

Como é que a Igreja deve disciplinar a luz do Evangelho? Por exemplo, muitas igrejas suspendem o membro faltoso da eucaristía. Eu sei que você gosta muito de dar exemplos práticos então, se você puder fazer assim, ajudará bastante.


Eu acho que se um cristão está preso numa patente de pecado, (por exemplo: se um jovem cristão está transando com sua namorada, ou se um outro cristão não consegue perdoar um irmão em Cristo que o ofendeu) então se ele ou ela está vindo a Mesa do Senhor, eles devem voluntariamente privar-se de tomar parte dos elementos da Santa Ceia. Mesmo que se arrependam na hora, seria uma boa disciplina deixarem de participar da ceia até que tenham certeza de que se arrependeram e que fizeram as mudanças necessárias. Lembre-se que disciplina eclesiástica é apenas fazer o que a pessoa deveria estar fazendo de qualquer forma. Suspender pessoas da Santa Ceia indefinitivamente (até que se arrependam) ou até por um periodo determinado depois que se arrependam, pode ser algo muito bom para o crescimento espiritual.


Ouvi que você estava escrevendo seu segundo livro. Fale um pouco sobre isso.




Estou escrevendo um livro para não-crentes. Nele, tento tratar das objeções que pessoas seculares num lugar como New York City têm em relação a fé cristã. É desenhado para ajudar pessoas a possuirem uma visão mais positiva do cristianismo, talvez até ajudar no processo de se ter fé em Jesus.

por Felipe Assis

terça-feira, 13 de março de 2007

PARABENS!!!!... para nós mesmos.

Não pude parar para escrever ontem mas, hoje escrevo, celebrando o fato de que, ontem completamos 1 mês de blog com pouco mais de 350 hits. Não conheço bem o universo dos blogs para saber se esse é um bom numero ou não. Conheço todavia o poder do Evangelho que um dia virou o meu mundo literalmente de cabeça para baixo, mesmo tendo sido criado dentro da Igreja, com Pai pastor e com o titulo de pastor por alguns anos. Isso aconteceu comigo porque houveram alguns veículos usados por Deus para que se chegasse ao meu entendimento o significado de ser pior do que se imagina, mas, ao mesmo tempo reconhecer que a graça de Deus é muito maior do que se pode imaginar. Eu agradeço a Deus por Jack Miller, pelo ministério do Sonship Seminars (Aba Pai) da World Harvest por que me ajudaram a refletir as implicações praticas de doutrinas que na maioria das vezes ficam apenas presas a livros e ao intelecto e jamais descem ao coração. O Evangelho desabrochou em mim o que significa de fato: ser filho e não escravo, ser justo não pela minha performance mas, pela justiça de Cristo, ser aprovado incondicionalmente e não viciado por aprovação condicionada, ser discípulo e não mestre, ser de Jesus sem ser religioso, ser transparente sem ser emocionalmente desequilibrado, ser amoroso sem ter que negociar a verdade, ser verdadeiro sem deixar de ser amoroso, viver em busca do prazer genuíno ao invés de me satisfazer nos prazeres banais. O Evangelho me ensinou a ser peregrino...

Da mesma forma agradeço a Deus por este espaço pois sei que do mesmo modo que um dia a ficha caiu em mim por veículos usados por Deus, pode ser que um dia ela venha cair em quem carinhosamente dedica um pouquinho do seu tempo para ler as “viagens” que passam nas cabeças e nos corações dos “loucos” que as vezes escrevem aqui.

por Felipe Assis

sábado, 3 de março de 2007

Violência Urbana e Evangelho Integral

Faltava menos de um Km para chegar no meu escritório quando ouvi a notícia da parte da emissora FM em que estava acidentalmente sintonizado o som do meu carro: “…a Associação dos Estados Ibero-Americanos publicou hoje o mapa da violência nos estados e nas capitais brasileiras entre os anos de 1994 – 2004...blá, blá, blá .... Recife ficou pela segunda vez em primeiro lugar, seguida por Vitória registrando 56 homicídios por cada grupo de 100.000 habitantes... Pernambuco ficou topo das pesquisas sendo apontado como o estado mais violento de país”. Estacionei o carro com um olhar meio catatônico e subi ao escritório. Ao sentar em minha mesa abri meu navegador de internet e tanto na Folha de São Paulo como no Jornal do Comércio a mesma notícia se encontrava presente na lista de notícias do dia. Em virtude das outras atividades que estavam postas em minha agenda pela minha secretária, guardei essa preocupação numa das gavetas da minha mente com a intenção de puxa-la mais tarde e refletir sobre a matéria. Ligação vai, gabinete pastoral vem até que o telefone em cima de minha mesa toca novamente. A Suely estava transferindo uma ligação de minha mãe. Do outro lado da linha ouvi minha mãe: “-Graças a Deus por tudo né Felipinho?” disse “-claro mãe – o que foi desta vez?”, ela me disse: “- o seu pai estava chegando hoje em casa no horário do almoço e quando acionou o portão eletrônico, foi abordado por três homens armados que saíram de um Eco Sport estacionado junto ao portão de casa”. Perguntei “- ta tudo bem com ele?” Ela disse: “-Tá. Está tudo bem. “Além do carro, só levaram a carteira e o celular”. Despedimos e desligamos. Fui forçado a retirar prematuramente a matéria que havia ouvido na rádio e que estava guardada em um dos compartimentos da mente. Ri para mim mesmo pensando: “essa já é a quinta vez que roubam a caminhonete do meu Pai a mão armada”. Em um incidente ele saía de casa quando foi abordado da mesma forma. Em outro, quando estava parado no acostamento da BR comprando plantas, dois ladrões num pálio o abordaram armados pedindo as chaves da pick-up e o meu pai num ato de loucura e comédia jogou as chaves no mato e mandou os ladrões irem catar”. Deus o livrou como o livrou desta última vez e graças a Ele por isso, mas, a minha intriga pessoal não vem apenas do fato de que nós, cidadãos nas capitais brasileiras vivemos reféns do medo da violência. Minha intriga pessoal é: não deveríamos estar assim entregue as baratas! Na minha lógica existe uma aparente contradição. Esta contradição vem do fato de que ao passo que a violência assola sem misericórdia as nossas cidades, o segmento evangélico explode dentro da nossa sociedade. Os evangélicos já somam mais de 25% da sociedade brasileira, número que a 10 anos atrás era menos do que a metade. Isso significa que hoje cerca de 40 milhões de brasileiros se autodenominam “crentes”. Nunca se viu tantas Igrejas sendo abertas com uma diversidade de doutrinas sendo pregadas a cada esquina a la restaurante self-service. Ouvi de um pastor amigo meu que só as Assembléias de Deus somam mais de 800 congregações na cidade do Recife. Não falo com base estatística aqui mas, o meu chute é que a minha denominação que representa um número perto de insignificante ante aos “evangélicos” no país, só na grande Recife possuí mais de 60 congregações. Somemos tudo e teremos um número absurdo de igrejas “evangélicas” na nossa cidade. Aí eu pergunto: Posto que a proposta do Evangelho é de trazer renovação cultural, social e espiritual porque que ao passo que sua proclamação cresce, cresce também a violência e a injustiça social nos nossos centros urbanos? A lógica seria que se tivéssemos mais pessoas transformadas pelo Evangelho, teríamos uma crescente influencia em todos os segmentos da sociedade (política, esportes, artes, mídia, educação etc) que paulatinamente transformaríamos com naturalidade a vida integral da sociedade. A única conclusão que posso chegar é que o Evangelho está sendo pregado de forma adulterada, modificada ou incompleta. O que vemos é uma preocupação exacerbada nos púlpitos de mudarem as pessoas de uma classe social para outra numa tentativa de usufruírem as bênçãos do mundo e não as do Novo Céus- Nova Terra. Além disso, a preocupação é de se salvar indivíduos da perdição e deixarem a terra, o mundo, a sociedade irem para o "quinto dos infernos". Essa má teologia prega que a intenção de Deus é de tirar os “salvos” do mundo antes que chegue o dia em que Ele, o todo-poderoso, detone tudo como detonou Sodoma e Gomorra sendo que desta vez com uma ogiva nuclear. Todavia, enquanto esse dia não chega, usufruamos dos prazeres que este “mundo” pode nos proporcionar. É muita ironia!!

A Bíblia nos ensina que o Evangelho não é nada disso. É justamente o contrário. A preocupação do Evangelho é de trazer os Céus a Terra. Para isso oramos “...seja feita tua vontade aqui na Terra como nos Céus”. O Evangelho não é apenas as boas novas da salvação de indivíduos, é as boas novas da restauração de todas as coisas. Em Apocalipse 4 temos as seguintes palavras de Jesus: “Eis que faço novas todas as coisas!” e em Colossenses 1:20 temos: “havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus”. Destaque especial para TODAS AS COISAS. Isso quer dizer que Deus não está apenas preocupado em redimir indivíduos. É muito egoísmo nosso acharmos assim. De fato, a restauração de indivíduos é o ápice da sua obra de redenção porque Deus através de uma humanidade que esta sendo restaurada usa esses indivíduos para restaurar com ele toda a criação caída. Se pessoas estão se “convertendo” e tudo ao nosso redor continua fedendo, alguma coisa está errada. Não se pode admitir que façamos cultos e eventos “evangelísticos” enquanto cerca de 800 homicídios acontecem por ano na nossa cidade. Quero lembrar que o crescimento da Igreja primitiva deu-se ao fato de que o Evangelho havia sido incorporado de forma integral na vida dos “irmãos do caminho” numa mudança radical de valores de vida. Eles sim, amaram o mundo vil a sua volta e como José do Egito, viveram para o seu bem estar e por isso impactaram tremendamente a sociedade. Enquanto os pagãos eram exclusivistas com suas finanças e liberais com suas camas, os cristãos eram liberais com suas finanças e exclusivistas com suas camas. Enquanto os pagãos se aglomeravam nas grandes cidades para sugar-lhe os recursos, os cristãos estavam lá em busca do SHALOM integral da cidade. Por isso... “cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos”.

Este texto é um manifesto não apenas contra a violência, a injustiça social e a depredação do meio ambiente mas, à mensagem incompleta do Evangelho na nossa sociedade, que não muda, não transforma e não se preocupa com nada! Não é sal que fertiliza a terra, nem é luz que ilumina o mundo!

Já dizia Lutero: “não há como modificar a mensagem do Evangelho sem perdê-lo por completo”!

por Felipe Assis

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Crux: sola est nostra teologia!

crux: sola est nostra teologia! (cruz: nossa única teologia). Esta foi a frase que não parou de ressoar na minha cabeça após ter lido Luther´s Theology of The Cross de Allister McGrath. Recentemente tenho sido impactado sobre a mensagem do evangelho resumida na cruz de Cristo. Acho pessoalmente que o evangelicalismo brasileiro está muito distante do evanglho genuíno. Aqui, o evanglho tem sido modificado, adornado, adulterado e consequentemente aniquilado. Não se pode modificar o evangelho sem perdê-lo por completo. Então... resolví escrever um livro que falasse do que aconteceu na cruz e como isso pode ser aplicado as questões práticas de nossa vida. O livro terá 5 capítulos: 1. a cruz e o sentido da vida 2. a cruz e os relacionamentos 3. a cruz e a beleza 4. a cruz e o dinheiro 5. a cruz e o sucesso. Terminei o primeiro capítulo mas, ainda necessita de revisão todavia aqui vai um pedacinho dele pra você curtir e dar sua opinião.

Se removermos a cruz do centro do cosmos estamos jogados ao acaso como dizia o filosofo alemão Martin Heidegger, "Geforfenai"! Isso porque não temos em que esperar. Uma vida sem perspectiva de redenção é pessimista e negativa. Sem a cruz não existe razão para viver já que o fim de tudo é a cessação da existência. Não existe razão de se preservar o meio ambiente nem buscar a justiça na sociedade. Melhor seria se nos destruíssemos e destruíssemos o ambiente que nos cerca. O filósofo francês Albert Camus começou uma de suas obras da seguinte forma: "só existe um verdadeiro problema filosófico sério: o suicídio". Em outras palavras: qual é razão que nós humanos temos para não cometermos suicídio ou vandalizarmos tudo a nossa volta? Temos que admitir que Camus faz sentido no aspecto de que se não se pode consertar algo é melhor jogar fora. Se não podemos evitar o nosso destino que é a morte então o que nos separa dos animais, já que o fim deles é o mesmo do nosso? Que sentido temos de existir? Certa vez ouvi Tim Keller dizer que se não se pode admitir que exista um sentido para a existência, temos ao menos que ter coragem de admitir que nossa existência é também sem sentido? O problema é que no fundo não é isso que queremos, não é? Todos queremos descobrir se existe esperança para o mundo e para nós mesmos. O fato de estarmos buscando uma esperança revela que existe uma peça do quebra-cabeça faltando. Esta peça é a cruz. Qualquer outra peça não encaixará na lacuna aberta. A cruz é a resposta básica para a pergunta básica: O que é isso?

Pelo Pr. Felipe Assis